Opinião

Dê presente útil

Presente útil para o país não é esquecer o passado bom ou ruim. É criar meios para um Brasil à prova de erros velhos. Sem dar vez a erros novos. Como se falava no tempo da vovozinha: chega de papo furado!

 


 

No final dos 70 – foi por aí! Criei esse tema, na então Dm9, para o Tio Correa, na época, o maior anunciante do varejo baiano, para sua campanha de Natal. Berta Loran era a bola e a bela da vez. Foi modelo da campanha. Extraio do fundo da gaveta a ideia de darmos um presente útil ao Brasil. Imagino uma reversão no propósito das discussões que rolam com frequência maior que a eficiência. Tanto nas redes sociais como nos jornalões e muitas das telinhas e telonas.

O Brasil está farto de diagnósticos. Se há mazela nova a razão é antiga. É sempre por falta do básico. É hora de discutir prognósticos. Já conhecemos a falta de quase tudo: vergonha na cara; justiça dura contra a corrupção e o crime organizado. Sabe-se que o ovo da serpente da insegurança é a falta de Educação. Formal e de berço. Onde não há uma é difícil existir a outra. A falta das duas é o caos.

O desperdício precisa estar na pauta. Quantas escolas, hospitais, creches, estradas, ferrovias, hidrovias, obras públicas foram iniciadas e abandonadas ao longo dos últimos cem anos? Sim, cem anos: a desconhecida por 90% da população, Madeira-Mamoré, por exemplo – inaugurada em 1912, após dizimar milhares de pessoas envolvidas em sua construção, na Amazônia -, foi desativada em 1966, pelo governo militar, e vendida como sucata a partir de 1972, para siderúrgicas de Mogi das Cruzes, SP.

Milhões de toneladas de alimentos se perdem nas safras de todo ano. Há recordes de produção e de perdas nos péssimos caminhos e desvios inimagináveis, mas comprováveis. E batemos recordes de programas de chefs e seus glamorosos pratos numa terra onde 1/3 do populacho não tem nem brioches para comer. Aqui não é terra de guilhotina, mas o crime tem números que superam os de guerras e algumas revoluções. Impunemente.

 


Já conhecemos a falta de quase tudo: vergonha na cara;
justiça dura contra a corrupção e o crime organizado.
O ovo da serpente da insegurança é a falta de Educação.
Onde não há uma é difícil existir a outra.


 

Enfim, o “presente útil” ao país passa pela recuperação do longuíssimo tempo perdido com administrações abaixo da linha da insensatez. E também o tempo desperdiçado com discussões estéreis sobre culpados escondidos atrás de falsas ideologias, amotinados em cárceres ou em vias de cumprir penas por delitos contra o país e as pessoas. É mais produtivo exigir o cumprimento da lei. O que é básico! O saneamento também é. Embora não exista para 72% da população. Precisa discutir? Não! Tem de fazer. Simples assim.  

Presente útil não é esquecer o passado bom ou ruim. É criar meios para um Brasil à prova de erros velhos. Sem dar vez a erros novos. Disrupção, a palavra/conceito da era da informação deveria entrar pelos poros de quem pode entender sua importância e formar novos desenvolvedores de ambientes criativos em todas as áreas. Da coleta de lixo à limpeza de rios e ruas. Do lançamento de micro satélites a pesquisa de endemias e epidemias.

No Brasil realizador muita coisa tem sido feita. Em São Carlos, SP, o Dr. Vanderlei Bagnato (cientista internacionalmente reconhecido) e sua turma têm criado equipamentos para tratamento de câncer de pele e outros males com notável eficácia. O discurso do Dr. Bagnato é fazer. Tirar ideias do papel e torná-las soluções de problemas. Quem se interessar ver este Brasil do prognóstico, sugiro o vídeo https://youtu.be/F8Xfh7jtc0U, palestra do ilustre professor.

Não tem sentido termos medo da tecnologia. Muito menos adiar sua inovação que não é mais diária. É contada por minutos ou segundos. A geração atuante está embalada por essas ideias e ideais. Curte o discurso irado e disruptivo. Está engajada em causas, estudos, trabalho, produtividade, inovação. Ligada em startups tupiniquins e planetárias. Com as mãos e a cabeça na ciência. Quem não pegar o bonde da disrupção já está na saudade. Como se falava no tempo da vovozinha: chega de papo furado!

Um pequeno dado ilustra quanto ainda temos de caminhar. Ou, na melhor das hipóteses, copiar a disrupção que inova, põe custos no chão e gera crescimento exponencial. Basta um clik para se perceber isso. *Nos EUA, a Energia Solar, em 1984, custava US$ 30 por kWh. Em 2014 passou para US$ 0,16 por kWh. 200 vezes menos em 20 anos. O Brasil tem a maior incidência de luz do sol de todo o planeta. E usamos míseros 0,02% dessa fonte de energia. Na Chapada, ela gera 6 kwh/m² por dia! É muita energia a ser usada! (escolas, prédios públicos, casas deveriam funcionar com ela).

A Alemanha recebe 40% da energia do sol que invade o território brasileiro. E é o país que mais utiliza a energia solar em todo o planeta. Pois é, as tecnologias estão a mil. E o sono do gigante adormecido continua em berço esplêndido. **Projetos de carros que levavam três anos entre sua concepção, design e protótipo, hoje percorre esse mesmo trajeto em 29 dias! Em pouco tempo passará a duas semanas. Nossa saída: sebo nas canelas e software na cabeça, galera!

 

*Fonte do livro: Organizações Exponenciais.

 

Publicitário – Home Office

Deixe uma resposta

Veja Também