Opinião

Indústria aumenta risco de falência do pequeno comércio

Fabricantes favorecem gigantes que compram mais e ganham bônus. Por isso, o grande vende mais barato ao consumidor e enfraquece o comerciante de pequeno porte.


O Governo Federal, através das agências de fiscalização e dos órgãos ligados ao Ministério da Fazenda, precisa urgentemente encontrar meios para frear o abuso que vem sendo cometido pelas indústrias que abastecem o comércio varejista do País e que está levando várias empresas comerciais, particularmente as de pequeno porte, a fechar suas portas pela absoluta incapacidade de competir com os grandes comerciantes.  As indústrias são obrigadas a tabelar seus produtos e os vender pelo mesmo preço para qualquer empresa do comércio independente do quantitativo, a fim de que todos tenham o direito a competir no mercado em igualdade de condições, cabendo-lhes a opção da majoração dos preços, permitindo ao comprador optar pelo que achar mais conveniente.

Acontece que as indústrias resolveram adotar um sistema de bonificação para os compradores considerando o quantitativo que adquirir. Se uma rede de supermercados resolve adquirir, por exemplo, duas carretas de cerveja de uma única vez, a cervejaria a brinda com uma quantidade de caixas, que irá lhe permitir oferecer o produto a um preço inferior ao do comerciante que compra apenas 20 caixas por vez e não tem brinde.

Alguns mercados de periferia aqui em Salvador, e em várias outras cidades do País, decidiram se unir sob um mesmo nome fantasia para efetuar as compras agrupadas e poder concorrer com as grandes redes. Alguns deles decidiram transferir parte do lucro auferido com o lote gratuito para os consumidores, estabelecendo preços menores para quem comprar uma quantidade maior de determinado produto.

Porém, os pequenos comerciantes estão fechando suas lojas comerciais pela absoluta falta de competitividade, pois não têm como competir com os preços oferecidos pelos grandes. Em Salvador, recentemente, duas redes de eletrodomésticos se viram obrigadas a se unir para poder acompanhar os preços de outras concorrentes, pois os fabricantes da chamada linha branca e demais eletrodomésticos adotaram o mesmo critério de doar unidades para quem comprar acima de determinada quantidade.

Se o governo não encontrar meios para coibir essa desenfreada ganância dos dirigentes das indústrias, em pouco tempo várias lojas do sistema de varejo fecharão suas portas e o desemprego vai continuar aumentando. Com alguma diferença, está se voltando ao tempo em que os donos das mercearias e armazéns de bairro foram obrigados a buscar outro meio de vida porque foram sufocados pelos supermercados.

 

 

Foi repórter e editor de Economia da Tribuna da Bahia e
A Tarde, coordenador de comunicação social em várias
empresas, entre elas o Desenbanco.

Veja Também

Deixe uma resposta