Esporte

Fonte Nova

Dez anos de uma tragédia sem culpados e que foi pretexto para implodir estádio

Impunidade : sete mortos, dezenas de feridos, resultado da ganância e irresponsabilidade das autoridades, num estádio lotado além da conta.

Tragédia anunciada vista de cima, a partirr do enorme buraco da arquibancada que caiu e matou sete pessoas.

Uma década. Foi no fim da tarde do dia 25 de novembro de 2007 que aconteceu a tragédia na Fonte Nova que resultou na morte de sete torcedores do Bahia e mais de 30 feridos, após um pedaço da arquibancada do alto, aquela do lado da avenida que margeia o Dique do Tororó, simplesmente ruir, arriar,  abrindo-se um buraco de  cerca de quatro metros no cimento armado por onde caíram onze pessoas, de uma altura de mais de 15 metros, no chão de asfalto, do lado de fora do estádio.

Jogavam Bahia x Vila Nova, a partida estava empatada em 0 x 0, por volta dos 43 minutos do segundo tempo, e o artilheiro Nonato havia perdido um pênalti, o joguinho era infame; mas o empate significava a volta do Bahia para a Série B. Imaginem, o Tricolor penava no inferno da Série C. E voltou pra Segundona nesse dia fatídico.

Oficialmente, passaram pelas catracas do estádio mais de 60 mil pessoas, mas com a abertura do xaréu na segunda etapa não tinha menos de 80 mil, a velha Fonte estava cheia, até o setor de imprensa do estádio estava abarrotado de gente estranha ao ofício. Vibração total, até que…


Tem culpa quem?

Povo abraça simbolicamente o estádio e pede justiça, mas as autoridades de plantão ignoram a dor das famílias.

O mais grave disso tudo é que ninguém foi responsabilizado, culpado ou punido pelo acontecido. Todos tinham ciência de que aquele setor do alto daquelas arquibancadas estava condenado. Laudos técnicos mostravam. Governo, Federação Baiana de Futebol, gerência e administração do Estádio, CBF, clubes, todos sabiam do risco. Tanto que aquele setor do anel superior das arquibancadas passou meses interditado. Mas, a ganância, a irresponsabilidade e a certeza da impunidade levaram a liberar a ocupação do estádio inteiro naquela ocasião; e deu no que deu.  A placa do degrau que caiu estava corroída, não suportou o peso. Como estava previsto pelos técnicos e todos sabiam. Todos absolvidos.

A Promotoria de Justiça do Consumidor ajuizou ações contra a CBF, FBF, Esporte Clube Bahia, Polícia Militar e Sudesb, mas essas ações nunca foram julgadas pelo Judiciário baiano. O Ministério Público ofereceu denúncia contra Bobô, Raimundo Nonato Tavares da Silva, na época diretor-geral da Sudesb – órgão do Estado que administrava o estádio – , e o engenheiro civil Nilo dos Santos Júnior, que era diretor de operações do órgão público, por homicídio culposo e lesões corporais de natureza culposa.  Em agosto de 2009 ambos foram inocentados pela Justiça. O ex-craque Bobô hoje é deputado estadual (PCdoB).

Jaques Wagner detonou o histórico estádio. E nunca identificou muito menos puniu os responsáveis pelo desastre.

A tragédia resultou na decisão monocrática do então governador Jacques Wagner de implodir o Octávio Mangabeira – inclusive o ginásio de esportes e as piscinas olímpicas, anexos – em agosto de 2010, para construir, a um custo astronômico e muita mutreta, a tal Arena ‘nome de cerveja’, modelito Amsterdã, para a Copa 2014.

Quanto às famílias das vitimas, merrecas do seguro, algumas pensões de salário mínimo para 14 pessoas e mais, só ‘meus pêsames’ e tchau.

Mais um capítulo das IMPUNIDADES.  Até uma nova tragédia.

 


 

Cenas dramáticas: a identificação dos mortos.

7 mortos na tragédia anunciada

Anísio Marques Neto, Djalma Lima Santos, Jadson Celestino Araújo Silva, Joselito Lima Jr, Márcia Santos Cruz, Midiã Andrade Santos e Milena Vasques Palmeira.

Das onze pessoas que caíram pelo buraco da laje, quatro sobreviveram, com sérias sequelas físicas e psicológicas. Traumatizadas, não gostam de relembrar, tampouco falar sobre o ocorrido. Vidas marcadas para sempre, como a dos familiares e amigos dos que se foram.


 

 

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