Esporte

O Poderoso Chefão

O declínio do futebol baiano com Ednaldo Rodrigues na presidência da FBF – Federação Bahiana de Futebol é evidente. Incapaz, ditador, tirano e destruidor de sonhos são alguns dos adjetivos utilizados para definir o perfil do presidente .





Há anos não faltam denúncias documentadas sobre os desmandos dos cartolas do futebol brasileiro e baiano. A imprensa não se cansa de revelar inúmeros malfeitos praticados por dirigentes esportivos de alto escalão. A Justiça faz vista grossa enquanto a corrupção da bola rola solta.

Quem manda e desmanda na maior paixão nacional é a CBF, comandada nos últimos anos pelo time de Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

E quem desmanda e manda nos estados são as federações filiadas, do mesmo time da CBF.

No campo baiano, Ednaldo Rodrigues é o dono da bola. Está há 18 anos na presidência da FBF- Federação Bahiana de Futebol. Porém, se dependesse de muita gente já teria recebido o cartão vermelho. Apesar da regra ser clara,  ele segue imune às acusações e apupos da torcida. Esta mesma torcida argumenta que não faltam motivos para o presidente ser expulso do jogo.

Vaza Ednaldo! Torcedor protesta no carnaval da Mudança do Garcia contra o presidente da FBF no Campo Grande, segunda-feira, 28 de fevereiro 2017, 

A lista é enorme: o presidente é acusado pelo declínio e mazelas atuais do futebol baiano, por levar times pequenos para o brejo financeiro e apequenar o futebol baiano, com o rebaixamento da 6ª posição para a 9ª no ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Culpado pelo fim do Programa Sua Nota é um Show, pela polêmica falsificação de documentos do centroavante baiano naturalizado português Liédson, e, ainda mais essa, por cooptar e pagar por fora apoio de alguns cronistas esportivos, “que rezam sua cartilha”, denunciam os jornalistas Oscar Paris (ex-TVE), Yancey  Cerqueira (ex-Irdeb) e Luiz Britto (Tribuna da Bahia), entre tantos.


Há várias frentes em Salvador e interior contra a onipresença de Ednaldo. A busca por democracia e transparência motivam vários grupos de desportistas baianos que querem mudança no comando da FBF: presidentes de ligas e clubes, árbitros, funcionários da Federação, Ministério Público e a parte sã da imprensa esportiva baiana.  A hashtag #ForaEdnaldo, campanha virtual contra  o presidente, vira e mexe fica entre os assuntos mais comentados no twitter em todo o Brasil, ganhando destaque e repercussão na rede social.


BOLA MURCHA:

MP desmonta mutreta de
faturar em venda de Liedson

O jornalista Oscar Paris trava há quase nove anos uma verdadeira bravata, com vitórias contundentes, para defender-se de 9 processos ‘por calúnia e difamação’ movidos pelo presidente Ednaldo  Rodrigues. Até agora o presidente não ganhou em nenhuma instância. E sempre recorre.

Paris comprovou o que o Ministério Público dizia. Em dia 8 de outubro de 2008, o promotor Ramires Tyrone Carvalho, do MP, denunciou Ednaldo Rodrigues à Justiça acusando-o de crime de falsidade ideológica em 2005, quando alterou dados de uma certidão relativa ao histórico de Liedson (ex-Flamengo e Corinthians).  O dirigente foi acusado de fraudar uma certidão do jogador, então com 30 anos, na qual constava que ele fora formado nas divisões de base do time do Poções. O que nunca foi verdade.

Veja a reportagem de Oscar Paris na TV Educativa:

O Sporting de Portugal pediu explicações ao jogador pois deveria pagar percentual ao clube de origem de formação do atleta, conforme dita a lei. Prontamente Liedson assinou documento desmentindo a FBF, liberando o Sporting do pagamento ao Poções. Isto gerou pedido de explicações da Fifa para a CBF, que, por sua vez, cobrou explicações da FBF. Sem ter como explicar tamanha bola fora a FBF simplesmente deu o dito pelo não dito e expediu outro documento, agora verdadeiro. Os três desembargadores da 2ª Câmara Criminal não viram delito na ação do jornalista. A decisão foi comemorada por Paris. ‘ Nosso papel como jornalista é este: mostrar a verdade”. O fato é que o jogador tinha atuado na Liga Valenciana entre 1995 e 1999. Nunca no Poções  que iria receber uma bolada sem fazer força.


BOLA FORA :

Ligas viram arapucas para
manter o time no poder


O radialista Yancey Cerqueira, ex-presidente do Sindicato dos Radialistas e produtor da matéria veiculada na TV Educativa de Oscar Paris, descreve o presidente Ednaldo Rodrigues como ‘ um ditador que impõe suas vontades, passando por cima de tudo e todos. E acusa sem meias palavras mas cheio de convicção: ‘ Depois de anos lidando no mundo esportivo sabemos que as Federações, Confederações e a FIFA, são feudos, máfias que controlam o futebol.’

Isto se reflete na ponta do esquema, revela: ‘As ligas do interior são arapucas, e que nunca tiveram eleições de verdade. Servem para eleger e manter o presidente da FBF. O dinheiro que é arrecadado para investir é revertido com distribuição de bolas e uniformes durante o Intermunicipal, em época de campanhas políticas, nas eleições, como se repetirá no ano que vem”. Para Yancey ainda existe esperança no futebol: ‘ No ano que vem existirá uma chapa de oposição na FB’. Mas pede e reforça a participação do torcedor nas mudanças no futebol.


Sua bola
era um show

O radialista e jornalista Luiz Brito, Tribuna da Bahia, foi processado em 2011  por difamação, calúnia e injúria pelo presidente da FBF porque denunciou à Secretaria de Fazenda do Estado o esquema de corrupção e desvio de recursos públicos no Programa Sua Nota é Um Show, patrocinado pelo governo do Estado e destinado a fomentar a presença de mais público e arrecadação para os clubes, especialmente os pequenos.

Britto encaminhou ao MP comprovantes da participação do presidente Edvaldo Rodrigues no esquema. O jornalista investigou borderôs e pagamentos do governo e descobriu uma quadrilha que agia burlando a quantidade de torcedores com ingressos distribuídos para os cambistas, que vendiam, prejudicando a todos. O fato é que o governo do Estado andou investigando por conta própria e cancelou o programa Sua Nota é Um Show para jogos de futebol na Bahia.

Para Luiz Britto o dirigente sabe a quem processa: ‘ Nós somos perseguidos por não sermos corruptos, não somos igual a parte da imprensa do estado, que é corrupta, muitos vendem sua alma ao diabo’.  Ele completa: ‘’ O presidente precisa saber que o futebol no Brasil mexe com a paixão, com os sonhos e esperança, não só dos milhões de torcedores que acompanham os campeonatos, mas dos milhares de jovens que sonham em serem jogadores. O esporte é uma forma de acreditar e mudar de vida. Não é isto que hoje acontece’.


A caça aos
mafiosos da bola


O mandachuva da FBF, presidente Ednaldo Rodrigues, sempre jogou no time da CBF.  Considerado fiel aliado e escudeiro dos três maiores caciques que há cerca de 30 anos presidem a entidade, Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

Com pedido de prisão decretado pela Justiça da Espanha, denunciado pela Justiça dos Estados Unidos e da Suíça, Ricardo Teixeira ainda está solto e sem processo algum no Brasil. Teixeira pilotou a CBF mais de 20 anos, ungido pelo sogro João Havelange. Saiu em 2012, denunciado pela Fifa por corrupção e formação de quadrilha.

Botou no seu lugar José Maria Marin, que hoje está em prisão domiciliar em Nova Iorque, monitorado pelo FBI, condenado pelos mesmos crimes.

No lugar de Marin assumiu a CBF Marco Polo Del Nero, que só está livre porque não sai do Brasil. Indiciado pelo FBI no escândalo de corrupção da Fifa, onde desembarcar nos EUA, América ou Europa será preso pela policia local.

Ednaldo é presidente da FBF desde 15/11/2001. Fica no cargo até janeiro de 2019, completando 18 anos na presidência. E pode ser também o futuro presidente pois, através de manobras contestadas, alterou o estatuto (10/08/2014), permitindo sua reeleição indefinidamente.





 O Poderoso Imperador

No dia 2/10/2014, dois meses antes de ser eleito presidente do Bahia, o jornalista Marcelo Santana publicou no jornal Correio e no blog do Juca Kfouri sua indignação com a ‘aclamação’ de Ednaldo presidente, chamando-o de ‘Dom Ednaldo I’. E sinalizou para os laços fraternos entre a CBF e a FBF: ‘Ednaldo Rodrigues Gomes tinha ótimo trânsito com Ricardo Teixeira e continua com José Maria Marin e Del Nero. Foi o chefe da delegação da CBF nos EUA, durante o início da nova era Dunga”.

Ao final do texto, o atual presidente do Bahia concluiu: ‘Lembrei-me de Roma Antiga: Ave, Imperator (Caezar), morituri te salutant”, diziam os gladiadores. Hoje, alguém no futebol baiano poderia dizer: “Ave, Imperador, aqueles que estão prestes a morrer o saúdam”.

O presidente Ednaldo deixou de ser local para ser referência nacional. O jornalista Juca Kfouri, em sua coluna no UOL, em 2016, logo após o Vitória conquistar o título de Campeão Baiano, usou seu blog para indignar-se contra ‘o pênalti infame a favor do Vitória, que venceu por 2 a 0’. Disse o jornalista do UOL e da ESPN: ‘ Se você somar os erros que impediram o tricampeonato estadual do Bahia só há uma conclusão possível: a postura independente e crítica da direção do clube está incomodando a cartolagem nacional e não é pouco. Um absurdo, uma vergonha, um escândalo”.


O berro
do Carneiro

Nos últimos meses as acusações contra a gestão Ednaldo subiram de tom. No dia 25 de julho, em entrevista aos jornalistas Pablo Reis, Matheus Carvalho e André Uzêda, na TV Aratu, e com repercussão também no blog de Juca Kfouri, o ex-presidente do Vitória, Paulo Carneiro bateu: “Já comprei juiz. Paguei mala azul, rosa. Comprei a zaga toda de um time baiano e combinei na sala quando ia ser pênalti”, disse. E disparou o tiro fatal acusando Ednaldo Rodrigues, rubro-negro declarado, de jogar a favor do Vitória: ‘Se Ednaldo beneficia o Vitória não faz mais que a obrigação’. Rola muita bola suja por debaixo dessas traves do futebol da Bahia.


OutraBahia continua à espera das respostas de Ednaldo Rodrigues.

 

Reportagem: Paula Medina

 

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