Almanaque

52 Anos

O rock’n’roll de Raulzito e
Os Panteras explode as jovens manhãs de domingo no
Cine Roma

Em 1965, Waldir Serrão invade a cena sonora baiana com transmissão ao vivo pelo rádio. Surgem as pioneiras bandas de rock e os conjuntos de iê iê iê à moda baiana.

Raulzito (centro) e Os Panteras.

O rock acontece na Bahia bem antes dos Beatles. Com Elvis Presley. Em 1965, todos os domingos pela manhã no Cine Roma, Waldir Serrão invade a cena badalando o som com transmissão pela Rádio Cultura. Começam a surgir bandas de rock, os conjuntos de iê iê iê, fenômeno ocorrido apenas no Brasil e que se apropria do refrão de “She Loves you”, dos Beatles. Serrão atribui a ele o uso inicial, em Salvador, de expressões como “banda” e “pauleira total”.

Entre os inúmeros conjuntos, que era o termo usual para designar as bandas, destacam-se: Waldir Serrão e seus Cometas (grupo de cover dublado), Raulzito e seus Panteras, The Gentleman  (com Pepeu e os irmãos Jorginho e Carlinhos), Eles 4, 5 Loucos, The Jormans, The Jetsons, Brasa Bossa, Dedos de Ouro, Os Selvagens, Os Desafinados, MJ6. Apresentavam-se em bailes, nos diversos clubes sociais da cidade (Estância Campomar, Piatã Clube, Português, Baiano de Tênis, Associação Atlética da Bahia), também no Cinema Roma e em programas da TV Itapoan, produzidos por Domitila Garrido e Cid Seixas.

 

Waldir Serrão com The Jormans, pioneiros do rock na Concha Acústica.

 

Só para Brotos. 1965. Aumente o rádio. Idealizado por Newton Moura Costa e apresentado por Waldir Serrão, que cedia os discos, o programava contava, também, com Jayme Fahel, Almir Duarte, Diniz Oliveira. “Entre 59 e 62 o que tocava era Elvis Presley, Cely Campelo, Neil Sedaka, Paul Anka, Little Richard, Carlos Gonzaga, Demétrius, Sergio Murilo, Ronny Cord”, recorda Waldir Serrão. Da origem, nos Estados Unidos, o rock’n’roll já comemora 62 anos de estrada.

“O programa funcionava com entrevistas, cartas, telefonemas”, explica Serrão. Com a explosão dos Beatles e da Jovem Guarda aconteceram muitos shows no Ginásio Antonio Balbino, o Balbininho. “O Big Boy é que me deu o toque para fazer um programa igual ao dele na Rádio Mundial, no Rio de Janeiro. Muito Elvis e Beatles, era a receita”, conta.

1966. Acontece o boom total, a Guaraná Platense promove shows de Roberto Carlos, Elis Regina, Zimbo Trio, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Wanderléa, Jair Rodrigues. O palco era sobre um caminhão, no estádio da Fonte Nova.

Fã Club de Elvis, sócio 9, Raul Seixas.
Raulzito e os Panteras, em 1965. Da esquerda para a direita: Carleba (de costas), Mariano, Raulzito e Eládio. Foto: Carlos Eládio/Acervo pessoal


Raulzito e Os Panteras, fazendo história.

1967. Aos sábados, Elias Sobrinho comandava o “Sabatinas da Alegria”, programa com shows promovidos por Edmundo Viana e Waldir Serrão (Big Ben e a banda Bigbendes) no Cine Nazaré, com auditório lotado e transmissão ao vivo, pela TV Itapoan. Ao lado da cena rock, havia, ainda, a presença dos sambistas: Tom e Dito, Antonio Carlos e Jocafi, Berimbau, Riachão, o maestro Carlos Lacerda. Era efervescente o cenário musical da cidade à época.

O Som do Big Ben passou para a Rádio Bahia, onde permaneceu por cinco anos. Depois na TV Itapoan, rádios Sociedade, Excelsior, Cultura, Clube. E existiam também os fãs clubes: Elvis Rock Club, na Boa Viagem, onde se ensinava a dançar rock e twisty; Elvis Today Fã-clube; Imperial Rock Clube, na rua Saldanha da Gama.


Waldir Serrão entrevistando Raul na rádio Bahia, no comando de Som do Big Ben.
1967. Raulzito e Os Panteras ensaiando para acompanhar Jerry Adriani.


 

São nomes marcantes desse período, ainda, as estrelas do iê iê iê: Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Os Vips, Leno e Lilian, Renato e seus Blue Caps, Golden Boys, todos em apresentações concorridas no Balbininho. Os superstars se hospedavam no Palace Hotel e os fãs paravam a Rua Chile. Há que se mencionar, também, David Barauh, Plínio, irmão de Raul, Thildo Gama, Gino Frei, Bartilloti e Nilton Papaum, o primeiro beatnik baiano; Os Mustangs, Edy Star.

Dos anos 70, emergem: Mar Revolto, Creme, 19º Colapso Nervoso, Gemaclara, Pulsa, Armazens Gerais. Com um histórico repleto de nomes de peso nacional, a produção roqueira baiana não pararia mais: de Raul Seixas a Pitty, passando por Novos Baianos, Camisa de Vênus, Cabo de Guerra, Maria Bacana e Penélope, entre tantos outros. Era (e continua sendo) apenas rock’n’roll, mas todos gostam.

 

Precursor do rock’n’roll na Bahia e radialista por 20 anos, Waldir Serrão, o Big Ben, vive há  quatro anos no Abrigo Pedro II, onde, em 2015 foi coroado Rei Momo do Carnaval.

 


 Curta o LP na íntegra,
o primeiro da carreira de Raul Seixas

 

 

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